Você não vai mais escolher um perfume, vai construir o seu.

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Você não vai mais escolher um perfume, vai construir o seu.

Uma conversa com a Sol de Janeiro sobre layering, a técnica que está mudando como usamos fragrâncias.

Cobertura do SEPHORIA 2026. Entre os 28 estandes, um se destacou pelo lançamento, que traz tendência e uma nova forma de olhar para as fragrâncias. A Sol de Janeiro construiu uma ativação inteira em torno de uma palavra: layering.

A marca chegou ao evento com os Jelly Balms, novos perfumes em bastão sólido em sua linha mais conhecida (Cheirosa 40, 62 e 68).

Entrevistando Benjamim, um dos responsáveis pelo marketing da Sol de Janeiro, perguntei por que a marca decidiu apostar em ensinar o público a misturar fragrâncias como uma das estratégias de 2026.

O lançamento e a ativação no SEPHORIA

O Jelly Balm é um bastão de perfume sólido. Sem álcool, no formato pocket. A tampa é de rosquear, o que facilita o uso para pessoas com mobilidade reduzida. O produto se aplica por contato direto na pele e dura até 10 horas.

O espaço da marca era construído em torno de uma palavra: Experimentar. O objetivo que a Sol de Janeiro comunicou é que o Jelly Balm foi pensado pra ser usado com outros perfumes, não sozinho. Você passa o bastão, borrifa por cima um body mist da própria marca (ou de outra) e cria a sua fragrância pessoal.

Essa técnica tem nome, se chama layering.

O que é layering

Layering (do inglês layer, camada) é a técnica de aplicar dois ou mais perfumes no mesmo ponto da pele pra criar um cheiro único. Não é borrifar um por cima do outro sem critério. É construção em camadas.

Cada fragrância tem três fases que evaporam em ritmos diferentes:

  • Notas de saída: o que você sente nos primeiros 15 minutos. Geralmente leve, cítrico, fresco.
  • Notas de coração: o que aparece depois e dura algumas horas. Geralmente floral ou frutal.
  • Notas de fundo: o que fica grudado na pele no fim do dia. Geralmente amadeirado, baunilhado, almiscarado.

Quando duas fragrâncias se sobrepõem no mesmo ponto, as notas interagem entre si. O resultado não é “as duas misturadas”. É algo novo, que não existe sozinho.

A tendência

O que aconteceu no stand da Sol de Janeiro é sintoma de uma mudança maior. A perfumaria está saindo da era da assinatura única.

Por anos, a regra foi clara: encontre seu perfume, use todo dia, vire conhecida pelo cheiro. Agora a lógica mudou: as pessoas querem um cheiro só seu, que ninguém mais tem. E que pode mudar dependendo do humor, da ocasião, do dia.

É uma mudança cultural com impacto comercial direto:

  • Marcas que antes vendiam um único produto-âncora começam a oferecer kits de mistura
  • Embalagens menores e portáteis ganham espaço pra permitir retoque ao longo do dia
  • Formatos sólidos (bastões, bálsamos) voltam ao mercado depois de duas décadas dominadas pelo spray
  • A perfumaria de nicho, que sempre defendeu mistura, vira referência

Para quem quer começar

Layering não exige conhecimento técnico. Só curiosidade, paciência, e tempo pra testar. Algumas regras práticas:

  • Comece com fragrâncias que você já gosta. Combinar dois perfumes que você não conhece pode dar resultado imprevisível.
  • Aplique no mesmo ponto da pele. A mistura precisa acontecer no mesmo lugar. Pôr um perfume no pulso e outro no pescoço não é layering, é só usar dois perfumes.
  • Comece com famílias complementares. Cítrico + baunilhado, floral leve + amadeirado, frutal + gourmand. São combinações que dificilmente brigam.

A entrevista completa com a Sol de Janeiro está no Instagram da Autonomí (@autonomi.bp).