Olhos marcados, tons bordô, pele pálida, brilho dramático e uma atmosfera quase cinematográfica. Nos últimos meses, a estética “Vamp Romantic” deixou de circular apenas entre nichos alternativos e passou a dominar maquiagens, campanhas de beleza e referências visuais nas redes sociais.
Mas o crescimento dessa tendência vai além da estética vampiresca. Ele também revela uma mudança importante no comportamento visual da internet: depois de anos de minimalismo, a beleza voltou a abrir espaço para o exagero, para o mistério e para a expressão individual.
Para a creator de beleza alternativa Luna Hengel, o movimento representa algo maior do que apenas uma nova maquiagem em alta.
“Sempre gostei de incentivar as pessoas a ousarem no visual, experimentarem novas formas de se expressar e explorarem sua própria identidade estética”, afirma.
Segundo ela, ver referências mais sombrias e dramáticas ganhando espaço no mainstream mostra como o universo alternativo está mais presente no cotidiano do que muitas vezes se percebe.
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Do cinema à maquiagem: de onde vem a estética Vamp Romantic?
Apesar de viralizar recentemente nas redes sociais, o “Vamp Romantic” não surgiu do nada. A tendência bebe diretamente de referências já consolidadas na cultura pop, na moda e na música.
Luna cita nomes como Tim Burton, diretor conhecido pelo visual melancólico e excêntrico de obras como Edward Mãos de Tesoura (1990) e Beetlejuice (1988), além da estética sombria reforçada recentemente pela série Wandinha.
Na música, artistas como Lady Gaga também ajudaram a reacender o interesse pelo visual dark-pop com produções mais dramáticas e performáticas.
Já na moda, a influência de Vivienne Westwood permanece evidente. A estilista britânica foi uma das responsáveis por transformar elementos do punk e do visual alternativo em linguagem fashion, incorporando corsets, correntes, alfaiataria desconstruída e referências vitorianas que hoje reaparecem em tendências contemporâneas.
O “diferente” ainda causa impacto?
Mesmo com a popularização de visuais alternativos nas redes sociais, Luna acredita que o estranhamento ainda existe, principalmente no universo beauty, historicamente associado a padrões mais seguros e comerciais.
“Impactar ainda assusta muitas pessoas, e eu também crio conteúdo justamente para desmistificar isso”, explica.
Para ela, a maquiagem funciona como ferramenta de liberdade e não como um conjunto rígido de regras. A criadora também faz questão de diferenciar estética e subcultura. Segundo Luna, o gótico vai muito além da aparência visual e está ligado a identidade, música, comportamento e estilo de vida.
“O ‘gótico’ não é uma estética e sim uma subcultura. Existem pessoas dentro do movimento que não necessariamente se expressam através das roupas”, pontua.
Ainda assim, ela vê de forma positiva o fato de mais pessoas estarem experimentando maquiagens ousadas, sombras escuras e referências menos minimalistas.
O fim da era clean?
O crescimento do “Vamp Romantic” também parece funcionar como contraponto aos últimos anos dominados pela estética clean girl: pele leve, tons neutros e maquiagens quase invisíveis.
Agora, o movimento aponta para uma beleza mais dramática, artística e emocional, mas isso não significa abandonar completamente o minimalismo. Para Luna, o mais importante é enxergar tendências como possibilidade de experimentação.
“No fim, o mais importante é se sentir confortável consigo mesmo e usar a moda e a maquiagem como formas de expressão, não como regras.”
Como começar na tendência Vamp Romantic?
Para quem quer explorar a estética sem sentir que precisa mudar completamente o visual, Luna recomenda começar aos poucos.
Entre as principais dicas estão:
- investir no esfumado dos olhos,
- apostar em lápis bordô na linha d’água,
- construir um lip combo em tons mais escuros,
- experimentar profundidade na maquiagem gradualmente,
- e buscar referências dentro da cultura alternativa e da subcultura gótica.
Segundo ela, entender a origem estética da tendência também ajuda a criar uma relação mais autêntica com o visual.
“Acredito que até mesmo explorar a subcultura gótica seja um caminho para visualizar novas referências e entender mais sobre o movimento que influenciou o Vamp Romantic.”
A estética como forma de identidade
Enquanto tendências vêm e vão rapidamente nas redes sociais, o crescimento do “Vamp Romantic” parece revelar algo mais profundo sobre o momento atual da beleza: existe um desejo crescente por autenticidade visual.
Depois de anos de uma estética extremamente polida e homogênea, referências mais excêntricas, dramáticas e pessoais voltam a ganhar espaço.
E talvez o sucesso da tendência esteja justamente aí: na vontade coletiva de transformar maquiagem em expressão artística novamente e não apenas em correção, ou numa forma de se sentir bem.





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